Levo pedidos mudos

"Podemo-nos apaixonar novamente? Limpar todas as asneiras que fizemos, reiniciar tudo esquecendo o passado? Construir tudo de novo, mas de forma correta. És a minha pessoa e não o posso fazer sem ti."



Levo o que der

 Encontrámo-nos partidos.


Consertei-te de coisas que não fui eu que causei.

Consertaste-me e depois partiste completamente.

Levo o peso da bagagem num novo recomeço


"O amor é uma companhia.

Já não sei andar só pelos caminhos,

Porque já não posso andar só.

Um pensamento visível faz-me andar mais depressa

E ver menos, e ao mesmo tempo gostar bem de ir vendo tudo.

Mesmo a ausência dela é uma coisa que está comigo.

E eu gosto tanto dela que não sei como a desejar.

Se a não vejo, imagino-a e sou forte como as árvores altas.

Mas se a vejo tremo, não sei o que é feito do que sinto na ausência dela.

Todo eu sou qualquer força que me abandona.

Toda a realidade olha para mim como um girassol com a cara dela no meio."

"O Pastor Amoroso" Alberto Caeiro



Levo a falta de tempo

O tempo é igual para todos: cada dia tem 24h; tem 1440minutos; tem 86400segundos.

Tenho perdido dias à espera que usem segundos comigo mas neles apenas acumulei pedidos ignorados, mensagens por ler e respostas por dar.

Foi duro ter deixado de ser uma prioridade. Foi duro ver outros tomarem o meu lugar. Mas nada se compara com o momento em que me apercebi que já não valho uns segundos do seu tempo.


Tinha oferecido tudo o que que era necessário (ou mais) para reverter a situação e não entendia porque não aceitava, porque não era suficiente...

...o meu tempo já tinha passado.

Levo dor no peito

Passaram-se oficalmente 5meses desde que perdi quem pensava ser o amor da minha vida.

Já fiz tudo o que vem nos "livros": Meditar, procurar respostas, fazer desporto, apoiar em pessoas, fazer terapia, escrever... fiz isso tudo.

Estou orgulhoso do trajeto até então mas ainda dói profundamente. Este novo caminho traçado não me levou onde queria estar. Para onde estava a ir antes de perder era onde eu queria estar! E é frustrante já que quando perdemos alguém tambem perdemos um pouco da nossa vida.

Mas o pior é que ganhei alguns medos que não tinha antes pois nunca tinha sentido desta forma. E a outra pessoa pode ter errado comigo de muitas formas mas também me amou como ninguém.

Fiz muito por amor e estou aterrorizado por achar que não voltarei a amar alguém assim e que não serei amado da mesma forma que fui.

É que já passaram 5 meses.. 

Levo a alegria de tudo ter tido e a tristeza de tudo ter perdido

Seis anos e meio se passaram desde a ultima vez que aqui vim. 

Confesso que já nem me lembrava que isto existia. Que tinha este blog. "Descobri" porque ia criar um novo e o meu mail associado abriu esta conta. E isso só comprova duas coisas:
- Tenho péssima memória,
- A tristeza, pelos vistos, leva-me sempre a este lugar.

Se calhar apaguei da minha mente pois desta vez acreditei que nunca mais iria necessitar de cá voltar. Como quando nos libertamos de algo que nos deixou de servir pois sabemos que nunca mais voltaremos aquele tamanho? Acreditei. Tinha a certeza que tinha chegado a minha vez! Fui realmente muito feliz e durante anos nada me fez pensar que iria voltar a procurar e escrever num/no blog.

Durante este tempo de ausência conheci e vivi com o ser mais belo que os meus olhos e coração se cruzaram. Ganhei uma companheira para tudo, ganhei um filho e uma filha. Ganhei o verdadeiro amor.

Até as mais fortes construções toldam perante condições adversas extremas. Crise financeira, dificuldades com negócio próprio, pandemia mundial e nascimento de um filho podem ser considerados suficientes para abanar o mais belo amor? Mesmo que apenas se tenha feito sentir, sem estragos diretos, o pânico gerado leva a que nos tornemos irracionais e que coloquemos o que mais queremos proteger verdadeiramente em risco. 

Durante este tempo de ausência conheci mas também perdi o ser mais belo que os meus olhos e coração se cruzarão. Perdi a minha companheira de todos os momentos, perdi um filho e perdi parte de uma filha. 





Levo o bom mas também o mau

Nem sempre estamos no nosso melhor.
Por vezes, estamos mesmo no nosso pior e batemos no fundo. E só nos damos conta quando lá chegamos e arrastámos tudo o que, com a aflição, conseguimos alcançar para nos agarrar. Estive numa dessas vezes.

Há pouco tempo, e fruto de uma sequência de problemas que pareciam adicionados por um cientista maluco, comecei a minha espiral recessiva. Não há travões. É andar em ponto morto a tentar desviar das piores opções mas a saber que o fim não será melhor.
Há os amigos, os "amigos", os conhecidos e até os que nunca nos conheceram a querer ajudar. A forma como o fazem difere, mas todas têm o mesmo resultado: nada ajuda. Com pessoas a puxar para cima e outras para baixo deixei de caminhar pelo meu pé. Como se puxassem para todos os lados e sem dar por isso passei a ser uma marioneta.

E depois?

Depois não há muito a fazer.
É uma angústia... uma luta diária que não leva a lado algum.
É querer respirar, sair desta condição e não dar. Querer voltar ao que se era e não conseguir.

Tantas pessoas à volta e sentir-se sozinho... escalar, mas estar preso.
Passam-se dias, semanas, meses e acaba-se por desistir. Eu desisti. Desisti várias vezes pelo meio numa tentativa de ganhar forças, até que não dá mais, desiste-se simplesmente.
Mesmo fechado/sozinho, andei à tona, à vontade das marés. Vagueando por onde todos me vêem, dizendo "olá" mas sem saberem o que ia cá dentro.
Até que chega o momento em que nos cansamos de não ir. Se fica farto de ficar a ver. Montado na pouca coragem que sobrou, nos pós que ficaram dos sonhos e nas migalhas do meu ser, inicia-se uma nova viagem.
Não sei se será a melhor mas serei eu novamente ao comando.

(fotografias: Novembro 2016 - Art in Paradise, Chiang Mai, Tailandia)