Modas

Já andava há algum tempo à procura de uns assim há algum tempo, e parece que encontrou umas amigas de salto alto:
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Estado de espírito

"Nasce um novo dia e o sol no fundo azul sorria, pena que as nuvens estejam a tapar. Eu sou assim por dentro, eu sou cinzento sem mudar e não acho que valha a pena tentar... Ai, como era bom ter a certeza de que se eu saltar, tu saltas também... Ai ai ai, como era bom ter a certeza de que se eu saltar, tu saltas também!
Roda, roda, roda, roda a Terra vira o céu. Sei quem és, mas quem sou eu? Pra quando um pouco de paz? E a vida começou, mas sozinho é que eu não vou porque eu não sou capaz e não acho que valha a pena tentar... Ai, como era bom ter a certeza de que se eu saltar, tu saltas também... Ai ai ai, como era bom ter a certeza de que se eu saltar, tu saltas também!"
Prana - Lei zero

Viagem ao Senegal (Dia 4)

St.Louis, outrora capital, parece uma cidade fantasma. Em certos locais chegava a parecer um parque temático, como se estivessemos na EuroDisney:
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Ou numa novela brasileira com as grandes "fazendas":
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Seria impensável ter esta imagem na nossa segunda cidade, o Porto:
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Onde as crianças são felizes com pouco e têm sempre um sorriso para os estranhos:
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Continuámos junto ao rio:
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E só depois de dar toda a volta é que percebemos que a parte central se tratava de uma ilha (à direita):
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Então passámos uma das pontes para ir junto à porção de terra junto ao mar, que a denominam como a vila dos pescadores:
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Aqui já havia mais movimento, com extensos mercados (onde comprei umas chinelas do Senegal que viriam a fazer muito jeito):
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Vimos o monumento aos mortos da primeira grande guerra mundial, guerra essa que por falta de soldados, os franceses ali foram recrutar. Morreram muitos milhares de Senegaleses e a mágoa pelos colonos traduz-se nas conversas amargas sempre que o tema "França" vem à baila já que se tratou de uma guerra sem sentido para estes:
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Olhando para as árvores víamos morcegos do tamanho de coelhos, e se isto já era estranho mais estranho se tornou por estarem em movimento em pleno luz do dia:
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Como havia pouco para ver, ao fim da manhã resolvemos partir até aos Delta de Saloum, uma viagem de mais de 300km para sul. Não parámos de sorrir pois todas as crianças, e mesmo pessoas mais velhas, nos saudavam e sorriam de forma genuína, sem nada em troca:
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Apenas parámos uma vez, para fazer um piquenique. Aqui podem ver o estado do carro:
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O que explica o facto de só ter pegado ao empurrão quando a polícia nos mandou encostar, se desligou quando chegámos aos caminhos de terra e parou de vez a cerca de 5km do destino. Não sabíamos que faltam apenas 5km pois estávamos no meio da selva. O fumo saía, utilizámos toda a água que tínhamos para o radiador vazio e cada um dava o seu prognóstico (e aqui estou eu a dar o meu entender enquanto os outros estão preocupados =P):
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Com a ajuda de um senhor que por ali passou (milagre), acabámos de encher o radiador. Informou-nos da proximidade e então, muito devagar e de capô aberto, lá chegámos a tempo de procurar uma casa onde pernoitar.

Viagem ao Senegal (Dia 3)

O lago rosa, ao acordar, tinha esta belíssima cor:
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Foi tempo de colocar malas às costas e deixar as nossas cabanas:
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Alugámos um jipe para fazer o reconhecimento e fizemos a volta a todo o lago. Havia dezenas de pessoas a trabalhar por conta própria. O lago, nos locais mais profundos, tem cerca de um metro e meio de água, e a mesma profundidade de sal no seu fundo. Os trabalhadores untam-se em óleo por causa da salinidade e escavam com as próprias mãos ou pás. O sal vem numa espécie de pasta de barro cinzento escuro e só com o sol é que fica com o aspecto que conhecemos:
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Depois de subir e descer dunas, deparámo-nos com uma aldeia criada por ex-nómadas que alí se foram deixando:
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Vi o meu primeiro oásis. Aproveitam-no para semear batata doce:
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E finalmente chegámos ao local que mais interesse me despertava, o local da última etapa da mítica prova Paris-Dakar. Percorrer a alta velocidade o mesmo percurso que grandes campeões fizeram foi, para mim, indescritível:
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O nosso jipe, apesar do aspecto, andava bastante bem:
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Deparámo-nos com vários pescadores e resolvemos dar uma ajuda:
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Ao fim da manhã o plano era então alugar um carro e fazer 300km para norte:
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O carro era um renault 21, que não passaria na inspecção por dezenas de factores, mas lá fomos os 6 na viagem:
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O carro era de 5 por isso fomos multados algumas vezes. Sabíamos que não era bem esse o problema, era mais por sermos turistas visto que havia carros com dezenas de pessoas dentro e no tejadilho. Da 5ª vez passaram finalmente recibo que autorizava andar deste modo durante 24h:
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Foi já com a lua cheia no ar que se fez a chegada a St.Louis, outrora a capital do Senegal. Jantámos, fomos a um bar e ainda percorremos várias ruas, mas deixámos a visita para o dia seguinte:
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Viagem ao Senegal (Dia 2)

Acordados em Dakar, não há pastelarias e cafés. Fomos tomar o pequeno almoço a um bar e, como viria a ser regular, consistia em água quente em que depois poderíamos escolher café em pó ou leite também em pó. Já tínhamos como destino o lago rosa (esta minha amiga entrou no espírito e, tal como eu, vestiu-se a rigor) mas faltava o resto. Enquanto uns decidiam os pormenores eu fazia "tatuagens":
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O destino foi então a ilha de Gorèe, ao largo de Dakar:
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A chegada à ilha parecia um filme:
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Esta ilha foi um dos motivos para Dakar passar a ser a Capital. Era daqui que seguiam os escravos do continente africano para o resto do mundo, infelizmente fundado por portugueses:
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As casas contrastavam entre os casebres onde eram guardados os escravos e as mansões dos mercadores:
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Ao longo de toda a ilha podemos encontrar diferentes tipos de artesanato:
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E com simpatia tivemos direito a uma explicação de que diferentes países de África vinham as diferentes cores de areias e como se faziam aqueles belos quadros:
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Esta foi a vista do restaurante. Entre o pedido e o servirem, deu para alguns de nós irem ao banho como as restantes crianças:
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À partida, arrancavam-nos sorrisos:
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A chegada ao porto de Dakar foi feita com bastante calor, mas não sei se estaria tanto assim:
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Pelos motivos que expliquei no post anterior, procurámos um taxi e dissemos o nosso preço. Depois de resmungar, aceitou e levou-nos até Lac Rose. (Depois de 15 dias de negociações soubemos que mesmo assim acabámos por pagar mais do dobro). Há apenas uma pequena porção de autoestrada entre o aeroporto e a cidade e nela podíamos ver de tudo, como é aqui o caso dos autocarros:
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Ou das carrinhas de transporte comum características:
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Depois de conseguir passar pela multidão de comerciantes, lá chegámos ao acampamento com vista para o lago:
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E o banho foi logo o passo a seguir. Este lago é um braço morto de mar e é cor de rosa devido a uma cianóbactéria que cria um pigmento desta cor para resistir à elevada concentração de sal. Devido a esta concentração, 10 vezes superior à do mar, é impossível irmos ao fundo, ficando mesmo à tona sem esforço algum:
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Um dos comerciantes fez questão de nos acompanhar e, depois de 2km até à vila mais próxima e de muita conversa, apresentou-nos o "irmão" dele que viria a ser o nosso guia até ao fim. Levou-nos até ao melhor restaurante, que é tudo o que está na fotografia tirada da porta de saída, apenas não apanhando o fogão por trás do balcão. Era muito escuro, apenas com uma luz vermelha (aqui vê-se luz por causa do flash) e a comida picante:
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Depois convidou-nos para ir a casa dele, beber chá, dançar, conhecer a família e voltámos para o acampamento à boleia de um amigo.

I'm a rocket man

Deparei-me com umas fotografias de Hunter Freeman com as quais me revejo. Posso dizer que muitas das vezes ando perdido e outras tantas ando com a cabeça no ar. Qualquer coisa serve para me abstrair e sair desta realidade, só voltando quando oiço o meu nome. O olhar preso no infinito e os sorrisos no meio de conversas, são apenas isso, pequenos saltos para o desconhecido ou curtos vôos. Esta imaginação faz-me interagir com os objectos de outra maneira, traz-me dezenas de ideias e faz-me querer mais, mas como qualquer astronauta falta-me sentir a terra nos pés e acabo por não fazer nada.
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Podem ver mais clicando aqui. E tudo isto leva-me para uma canção que sempre adorei:

"I'm not the man they think I am at home, oh, no no no... I'm a rocket man, a rocket man burning out his fuse up here alone"